A maioria das pessoas começa pelo banco e pelo spread. Faz sentido lá chegar, mas só depois de três decisões que, ao longo de trinta anos, pesam mais do que meio ponto de spread.
1. A prestação que cabe, com folga
O banco calcula a prestação máxima que aprova. A pergunta que importa é outra: que prestação cabe no orçamento da sua família com margem para imprevistos, como uma subida da Euribor, um rendimento que falha ou uma despesa que não estava prevista. É a partir dessa prestação que se decide o montante, e não o contrário.
Sobre esta pergunta, ver também A pergunta que vem antes do spread.
2. O tipo de taxa que o orçamento aguenta
Escolher entre taxa variável, fixa ou mista não é apostar no futuro dos juros. É decidir quanta incerteza o seu orçamento suporta. Uma prestação que pode subir exige margem; uma prestação fixa costuma custar alguma coisa por essa tranquilidade. Com números concretos lado a lado, a escolha fica mais fácil.
3. Seguros: fazer contas ao pacote inteiro
O crédito habitação vem acompanhado de seguros de vida e multirriscos. Pode contratá-los fora do banco, e o banco pode oferecer um spread mais baixo se os contratar com ele. Vale a pena comparar o pacote inteiro: um spread mais baixo com seguros mais caros pode sair mais caro ao fim de alguns anos.
Só depois, as propostas
Com estas três respostas, as propostas dos bancos comparam-se de forma justa. O documento a pedir é a Ficha de Informação Normalizada Europeia (FINE): é nela que estão a TAEG, o montante total a pagar e as condições que contam. É com ela na mão que se negoceia.