Numa conversa sobre crédito habitação, a primeira pergunta costuma ser “qual é o spread?”. É uma pergunta legítima, mas há outra que devia vir antes e raramente se faz: quanto do rendimento da família fica comprometido, todos os meses, durante décadas?
O que a taxa de esforço mede
A taxa de esforço é a parte do rendimento mensal líquido que vai para prestações de crédito. O Banco de Portugal recomenda limites, e os bancos aplicam os seus. Mas o limite do banco diz apenas o que o banco aceita. Não diz o que a sua família aguenta com tranquilidade quando a Euribor sobe, quando um dos rendimentos falha ou quando nasce um filho.
Duas famílias com o mesmo rendimento e a mesma prestação podem viver situações muito diferentes: uma com encargos fixos baixos e margem para respirar, outra com um orçamento já esticado antes do crédito. A taxa de esforço, sozinha, não mostra essa diferença. O orçamento mostra.
A ordem certa das perguntas
Primeiro, o orçamento: o que é fixo hoje, o que fica. Depois, a prestação que cabe nessa margem com folga para imprevistos, que não é a máxima que o banco aprova. Só então o spread, o prazo, a taxa fixa ou variável e os seguros associados, que é onde se negoceia.
Comparar propostas é importante, mas não resolve nada se a prestação à partida já for demasiado alta.